
Desde que me lembro de ser gente, isto é, de mim com um palmo de tamanho e meia dúzia de anos que me associo, eu própria a mim própria, às palavras. Às escritas e às lidas. Na biblioteca da minha terra, um sítio fantástico onde é possível embrenharmo-nos, miúdos e graúdos, na ‘terra dos sonhos’ e perder ou ganhar (consoante o ponto de vista) tempo a imaginar, criar, sonhar, habituei-me à rotina de requisitar livros, às mãos cheias, e levá-los para casa.
Uma Aventura, Clube das Chaves, Os cinco, Os Sete, As Gémeas no Colégio de Santa Clara… e tantos outros… antes e depois…
A fixação pela escrita veio depois com a entrada na adolescência e de todos os como e porquês que este estado acarreta.
Algures no tempo distanciei-me das palavras. Perdi-lhes o rasto. O sentido. O valor. Excesso de uso. Banalização. Olho para elas e já não as vejo. Escrevo e não me lembro. Porque obrigada.
Quero voltar a usá-las como merecem. Devolver-lhes o valor. Que elas pintem o mundo. O meu mundo. E me voltem a fazer sonhar, ainda que não passe do papel.
