quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Palavras…


Desde que me lembro de ser gente, isto é, de mim com um palmo de tamanho e meia dúzia de anos que me associo, eu própria a mim própria, às palavras. Às escritas e às lidas. Na biblioteca da minha terra, um sítio fantástico onde é possível embrenharmo-nos, miúdos e graúdos, na ‘terra dos sonhos’ e perder ou ganhar (consoante o ponto de vista) tempo a imaginar, criar, sonhar, habituei-me à rotina de requisitar livros, às mãos cheias, e levá-los para casa.

Uma Aventura, Clube das Chaves, Os cinco, Os Sete, As Gémeas no Colégio de Santa Clara… e tantos outros… antes e depois…

A fixação pela escrita veio depois com a entrada na adolescência e de todos os como e porquês que este estado acarreta.

Algures no tempo distanciei-me das palavras. Perdi-lhes o rasto. O sentido. O valor. Excesso de uso. Banalização. Olho para elas e já não as vejo. Escrevo e não me lembro. Porque obrigada.

Quero voltar a usá-las como merecem. Devolver-lhes o valor. Que elas pintem o mundo. O meu mundo. E me voltem a fazer sonhar, ainda que não passe do papel.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Estacar…


Corto as asas com medo de voar. Ato amarras para estacar. Sempre este medo que me tolhe os movimentos. Sempre este medo que me tolda os sentimentos. Que me impede de voar, de ir mais além.

Não sei quando começou. Nem porquê. Só sei que há um antes e um depois. Dois 'eus'. Ou até mais. Muitos mais.

Antes não tinha medo de ser eu. De ir em frente. De fazer o que achava certo. De correr riscos. Agia por impulso. Fazia aquilo em que acreditava. Acreditava no que fazia.

Será que tudo não passou da idade da inocência? Será que tudo foi quando acreditava que podia mudar o mundo?

E depois? Será que foi o mundo que me mudou a mim? Hoje, às vezes, não me reconheço. Quero ir buscar a força de outrora e não a encontro. Nem a energia. Nem a coragem. Nem a criatividade. Nem… nada… ou muito pouco…

Tem dias. Tenho dias. Como toda a gente? Não sei. Só sei que queria ser ‘eu’ mais vezes. (Re)conhecer-me mais vezes. Não ter medo, coragem, pena… de ser eu!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Como viver sem este, aquele e o outro...

Desde muito nova sempre tive uma (entre muitas outras) preocupação que constantemente me assaltava o pensamento: como passar a viver sem determinadas pessoas que sempre tinham feito parte da minha vida? E não estou apenas a referir-me àquelas que já partiram… porque nesse caso infelizmente já não há mesmo nada a fazer (e não quero ir por aí, não hoje, não agora…)

Eu pensava também sobre aquelas pessoas que, durante anos, por uma circunstância ou por outra, tinham feito parte da minha vida com frequência, mas que eu sabia que, mais tarde ou mais cedo, deixariam de fazer. Quase que desapareceriam. Continuava a saber quem eram. Onde moravam. O que faziam. Mas não estariam na minha vida. Não fisicamente. Seriam apenas uma sombra no meu coração. Uma memória no meu pensamento. E saber isto atormentava-me. Atormenta-me. Mais antes, menos agora.

Talvez porque comece a encaixar que não há nada a fazer… a vida é mesmo assim. Há pessoas que, com mais ou menos frequência, estarão sempre lá. Há outras que, mesmo querendo, não estarão tanto quanto gostariam. Distância: um dos principais culpados. Trabalho: também tem uma palavra a dizer nesta temática. Além de tantos outros factores.

Ainda assim, há outras pessoas que se cruzam nas nossas vidas um pouco por acaso e que sabemos que não voltarão… não faz parte…

Como lidar com isto? O importante é, de facto, conseguir aproveitar cada momento, cada presença, cada situação, como se fossem únicas (porque o são mesmo)… Não façam como eu… não deixem que tudo o que vos povoa o pensamento (problemas, preocupações, angústias, medos, etc. etc.) vos tolde a visão e vos impeça de aproveitar… a vida! A vida tal como ela é!

“Stop dreaming! Be realistic!”

“Stop dreaming! Be realistic!” (para os mais desatentos estas frases provêem da publicidade da Pepsi… daquele anúncio sobre o RIR)

Se nesse anúncio as palavras da professora serviam para tentar parar o aluno, para o fazer desistir… aqui e agora, utilizadas por mim, têm outro sentido…

É que nos últimos tempos apetece-me, repetidas vezes, dizer a uns a outros isto mesmo: “stop dreaming! Be realistic!”. Se sou a má da fita? Não neste caso.

Simplesmente não consigo perceber qual será a lógica de enterrar sistematicamente a cabeça na areia e seguir como se nada fosse. Ou, para variar desta posição, empurrar as coisas com a barriga… Tanto num caso como noutro pode ser que os problemas renasçam noutro lado, ou que desapareçam. Ou se calhar não!

Qual é o sentido de, vendo que as coisas não resultam, não funcionam da maneira X, continuar a insistir em fazer da maneira X?
Há muitas coisas que me passam ao lado… de facto…