terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Essa raça chamada jovens



Será que o futuro dos jovens passa por emigrar?
Porque não conseguem eles ser bem sucedidos no nosso país?
Porque não conseguem sequer, muitas vezes, mostrar aquilo que valem?
Será que o futuro laboral, já a curto prazo, passa pela precariedade? Pelos falsos recibos verdes? Pela insegurança sem flexibilidade?
Que dizer? Que fazer?

Ainda na semana passada, num jantar com antigos, mas recentes, colegas da faculdade fomos relembrando uns e outros que tentaram a sua sorte lá fora e, surpresa das surpresas (ou então não), estão bem melhor do que nós (os que ficámos no país)!
E não, não me parece que sejam nenhuns génios, não desfazendo, obviamente, as capacidades individuais de cada um.

E não, não me parece que tenham conseguido trabalho através do factor ‘C’… Nós por cá a coisa já pia de outra maneira.

Às vezes nem se abrem concursos. Outras abrem apenas para fazer fintas à legalidade, mas os candidatos já estão escolhidos à priori. Não é preciso socorrer-me de experiências ou exemplos de terceiros… Ainda recentemente fui a uma entrevista, na qual me apercebi que uma das candidatas era “simplesmente” filha de uma senhora que trabalhava na empresa. Pura coincidência, claro!

Precisamos de mudar. Por onde começar? Pela transparência nos processos. Pelo respeito pelos outros. Pela confiança depositada nos jovens “aprendizes”, para que tenham a oportunidade de mostrar as suas capacidades. Pela honestidade, interna e externa, isto é, entre colegas e com os concorrentes!
Será que somos capazes? Bora lá tentar… (É que nós não somos a geração rasca que muitos queriam que fossemos, ou advogam que somos…)

Decepção...




Que dizer da estreia, ontem, do programa Sinais de Fogo, na SIC? Resumindo numa palavra: decepção. Fiquei decepcionada com a prestação de Miguel Sousa Tavares. Não minto, esperava mais. Muito mais. Parece-me que Miguel Sousa Tavares, figura que admiro enquanto jornalista e escritor, se devia ter preparado mais e melhor.
Com tanto que havia para dizer passível de “encurralar” Sócrates, porque não conseguiu o jornalista fazê-lo? Falta de preparação. Essa impreparação atingiu o clímax quando José Sócrates informou Miguel Sousa Tavares que Rui Pedro Soares já era director da PT, antes de ingressar na administração da referida empresa. Foi com indisfarçada satisfação que o primeiro-ministro disse ao jornalista: “Não me diga que não sabia”. Depois disso, pouco mais havia a fazer pelo programa. Ou pelo menos Miguel Sousa Tavares não conseguiu dar a volta. Com muita pena minha.

Agora é esperar pela próxima prestação, que será na próxima segunda-feira.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Estupores!


Há pessoas que parece que nasceram só para nos chatear. Analisamo-las fria, demorada e detalhadamente e chegamos à triste, mas real, conclusão que têm como único objectivo de vida chatear os que estão à sua volta.

Essas pessoas dão-me voltas ao estômago, asco, para não dizer nojo... e até mesmo vontade de recuar uns anitos para poder usar um vomitorium...

E o mais extraordinário é que dou voltas intrincadas ao meu cérebro, que já não é muito certo, para tentar perceber qual o gozo que ganham em ser assim (porque se nota aquele sorriso triunfante e simultaneamente patético na cara cada vez que conseguem ser 'a pain in the ass!')...

Às vezes tenho inveja dessas pessoas... porque também gostava de ser assim, só por alguns momentos, apenas para poder agir através do lema 'olho por olho, dente por dente'. Mas depressa desisto de querer ser, ainda que por fugazes instantes, uma pessoa tão estupidamente oca!

O problema maior surge quando essas pessoas, que nos põem os nervos em franja, são também burras (burras mesmo) mas têm a mania que são espertas!... Ai é que a porca torce o rabo... Como lidar com esta gente? É uma pergunta difícil...

Acho que a melhor solução é manter essas pessoas longe do nosso caminho. Fugir delas! A bem da nossa sanidade mental...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Histórias do dia-a-dia (I): O senhor Pires

Personagens:
BuNeKa, de ora avante identificada como B
A senhora do atendimento da biblioteca (S)
E o colega da mesa ao lado (C)
O Senhor Pires

Local:
A Biblioteca de um importante órgão nacional

Acto 1
B. entra na biblioteca e pede para consultar os Orçamentos do Estado para 1928 e 1975. C, resmunga da sua experiência.
- Tenho dúvidas que isso exista.
- Mas ontem liguei para cá e um senhor disse-me que tinham tudo.
(depois de muitas hesitações e várias consultas ao sistema informático, nada)
- Deve ter sido o senhor Pires a dizê-lo. Tem que desculpá-lo, ele é só um ajudante, não sabe mexer com o sistema informático. Quando lhe falou em orçamentos, disse que tinhamos porque temos cá muitos mas esse de 1928 não temos, explica S.

Acto 2
B. sentada numa confortavel poltrona da biblioteca em frente ao computador consulta o orçamento de 1975, disponível online. Nesse momento, o Sr. Pires, senhor de sessenta e muitos anos e um ligeiro coxear, pára e pergunta com sotaque das beiras:
- A menina precisa do orçamento do Estado de 1928?
- Sim, mas a sua colega já me disse que não havia.
- Há sim, está lá dentro, responde desolado.
Não demora nem três minutos e surge com um livro poeirento aberto ao meio. Está aqui, o Orçamento do Estado de 1928, lê com os óculos a meio do nariz.

Acto 3
Ainda junto ao computador, S. desculpa-se.
- Queria pedir-lhe desculpa. Afinal o meu colega sabia onde estava o Orçamento.


Moral da história
Pois sabia. O que é ser "só um ajudante"?!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Para o que estamos guardados…


Acredito que hoje, várias pessoas sustiveram a respiração antes de passar pelo quiosque mais próximo para comprar o semanário SOL. Tudo porque havia uma expectativa no ar de saber se o jornal estaria ou não nas bancas.

Está, mas esgotado em alguns lugares. Nada mais normal depois de toda a turbulência que se gerou, durante o dia de ontem, à sua volta. E porquê? Simplesmente porque um big boss da PT se esqueceu, por momentos, que estamos, pelo menos em teoria, numa democracia, e resolveu interpor uma providência cautelar para o SOL não ver a luz do dia…

O motivo? Silenciar as escutas, que escutaram demais, logo ficaram a saber demais… e que estão escarrapachadas no dito jornal!
Hoje, depois da providência cautelar ter caído por terra, debate-se a liberdade de imprensa. Temos ou não temos? Se o jornal não tivesse saído, a resposta seria clara como água… Como o jornal saiu a resposta fica mais difícil…

E a ser verdade, que dizer do plano engendrado pelo governo para adquirir meios de comunicação social que deveriam, posteriormente, alinhar segundo as suas directrizes?…

É caso para reflectir. E quiçá para pensar se Sócrates não andará a passar demasiado tempo com Chávez…

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Pensamentos por escrito




Nos próximos dois dias estarei em modo de escrita automática. São mais de 25 mil caracteres. 15 mil vão directamente para o homem com quem estive à conversa hoje à tarde. Um homem que pensa em forma de palavras e repete - s e m p a u s a s - vários sinónimos até encontrar aquela que exprime toda amplitude da sua vontade. A maioria das vezes não a encontra. A fala imprime-lhe uma velocidade a que não está habituado. Quando escreve, é tudo muito mais fácil. Ouvi-o e regressei de alma cheia. Se pudesse ler aquilo que os seus pensamentos foram escrevendo. . . Aí não sei. Mas provavelmente ter-me-ia apaixonado. Agora tenho de ir. Um dia conto-vos como foi a minha tarde.

“É que hoje parece bastar um pouco de céu”


Há dias em que mesmo que nos caia em cima “o carmo e a trindade” (expressão apenas usada na minha terra?) ninguém nos tira o sorriso dos lábios, nem nos consegue arrancar a esperança do coração.

Mesmo que chovam ‘cats and dogs’, o céu acaba sempre por voltar a ficar azul… e a sua infinitude e beleza bastam. Há dias assim.

Em que estamos de bem com a vida e tudo se torna mais fácil. E porquê? Pelos sucessos pessoais que alcançamos. Pelo degrau que subimos com grande esforço e nos deixa mais perto do nosso objectivo. Pela felicidade estampada no rosto de quem mais gostamos. Ou apenas porque sim.

Há dias assim. E ter alguém ao nosso lado faz com que esses dias sejam mais frequentes….

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ó Jesus, tende piedade de mim!

Eu só queria... Eu só queria que hoje o Benfica não esfrangalhasse os restos mortais do Sporting para amanhã não ter de sair à rua assim. Ó Jesus, tende piedade de mim! Tende piedade!

“Sei que não vou por aí!”


Caminhos percorridos, trilhos enganados, voltas em vão. “Não sei para onde vou/ Não sei por onde vou/ Sei que não vou por aí!”, faço das palavras do José Régio as minhas próprias palavras, apodero-me da sua raiva… também não quero ouvir “vem por aqui”!

Estaco. Pululam dúvidas, inquietações, questões… Não sei o que quero, mas sei o que não quero. O primeiro passo está dado! Venha a estrada!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Lembranças... de desejos...

Lembro-me de, numa tarde solarenga, estar numa aula de Francês, língua com a qual tinha uma relação pouco amistosa (só suportável por ter uma professora que não ensinava apenas matéria mas nos preparava também para a vida) e ter de fazer um texto sobre os meus desejos para o futuro. Era necessário escrever em Francês, logo não podia divagar. Decidi cingir-me ao básico e mais importante. Pus-me a pensar: ‘que desejo eu para o meu futuro?’. Cheguei rapidamente a três conclusões. Queria ser jornalista. Queria voltar a Moçambique. E queria ser feliz. Não necessariamente por esta ordem de ideias. Hoje, passada mais de uma década, o que consegui eu? Ser jornalista… ‘so so’… estou na área… a batalhar pela realização profissional… pelo menos isso. Ser feliz… continuo a oscilar insistentemente entre o 8 e o 80… e quem me conhece sabe que só assim funciono: entre efusividade e alegria misturadas com nostalgia e melancolia. Apesar dos dias maus, comuns ao comum dos mortais, sou feliz… principalmente por ter encontrado uma pessoa que me realiza, que me faz querer ser melhor… the one… Quanto ao último parâmetro… ainda não foi possível… mas acredito que será, mais cedo ou mais tarde… voltarei para reviver pessoas, lugares, sons, cheiros… sentir o cheiro daquela terra molhada, quando a chuva desaba sobre os corpos sem pré-aviso; ouvir os garotos na rua a apregoar toda a parafernália de objectos que se possa imaginar, sempre com um sorriso na cara; olhar o horizonte, aquele anoitecer único; viver num outro tempo e lugar… tão perto e tão longe… sem amarras sociais… Reviver o passado e arrancar a sôdade que vive em mim…

Avó Maria


Sinto saudades. Sinto saudades do pouco provável: do sabor da sua comida. Do travo a azeite da sopa amarela com bocadinhos de nabiça. Dos carapaus gigantes que saíam da grelha salpicados de carvão e chegavam à mesa a escaldar numa travessa de alumínio. Das fatias de pão, milimetricamente partidas, que acompanhavam todas as refeições. Das laranjas descascadas no final do almoço (ao jantar não podia ser porque a avó Maria dizia sempre: “Laranja de manhã é ouro, à tarde é prata e à noite mata, filha!”). Do borrego de Natal acompanhado de arroz de passas e batata no forno. Dos chocolates Kinder, dos sugos e das amêndoas de chocolate escondidos sempre na mesma porta do móvel de mogno da sala. Dos gelados Magnum, geralmente de amêndoa, guardados debaixo dos bifes de porco e das costeletas de novilho na arca congeladora.

Em casa, a avó Maria andava sempre com uma bata azul com lírios e flores ciprestes. Como era gordinha, assentava-lhe na perfeição. Riamo-nos quando eu a tentava vestir e a bata azul me dava três voltas ao corpo. Ríamo-nos quando a avó Maria me apanhava a esconder os papéis do chocolate Kinder atrás do sofá porque não queria ser vista em flagrante pecado capital. Ríamo-nos quando, para se vingar, ia buscar o seu chocolate preferido – o KitKat – e dizia que não me dava nem um bocadinho e eu acabava sempre por comer mais de metade. Ah e ríamo-nos também, mas aí à gargalhada, quando a avó Maria devorava um gelado inteiro em menos de um minuto. Durante muitos anos tentei imitá-la: tirava o papel do gelado, agarrava o pau de madeira e tentava dar uma trinca até quase um quarto. Acabava invariavelmente com a mão direita à frente da boca, uma terrível dor de dentes. Fascinada pela velocidade com que a avó Maria dava aos dentes (que vim a saber serem de plástico) e fazia desaparecer o gelado.


Da avó Maria recordo outras coisas. Os olhos verdes gigantes, que sempre lamentei não ter herdado. O cabelo loiro pintado, fraquinho, fraquinho, que possuo agora em fotocópia. As botas de salto alto que me comprava todos os anos pela altura do Natal – talvez seja a responsável pelo meu gosto compulsivo por sapatos. Da mítica frase: “Deita fora filha, deita fora", sempre que estava constipada e tinha expectoração no nariz. Da avó Maria, recordo muitas outras coisas. Mas dessas não quero falar porque já não era bem a avó Maria. Lembro-me mas logo a seguir esqueço. Porque quero e porque quem manda em mim sou eu. E depressa volto a ficar com o sabor da sua comida na boca. A mesma que não faço a mínima ideia de como se faz mas que visualizo com languidez. Quando era criança, ela não me deixava chegar perto do fogão, da faca, nem sequer do pano da loiça (objecto perigoso, este). Na adolescência, não escapei da arrogância parva da idade e nunca quis aprender. Mas se calhar foi melhor assim. A avó Maria será sempre uma lenda para mim. Os seus sabores continuam vivos. Lembro-me deles todos os dias. Quem sabe se não voltarão. Numa manhã qualquer de nevoeiro.

O Medo... de falhar...

O medo de falhar é como um vírus que nos assalta e contamina todos os órgãos do nosso corpo, todos os nossos membros... criando em nós uma letargia e uma preguiça até então desconhecida do nosso eu...
O medo de falhar faz-nos simplesmente não fazer nada... pelo 'simples' medo de falhar...
Quando era mais nova (não que agora seja velha) e mais inconsciente e ingénua não tinha medo de falhar... fazia e dizia o que pensava na hora, sem medo de retaliações...
Agora, que supostamente já me devo comportar como uma pessoa crescida e pensar nas coisas antes de fazer ou dizer, tenho medo de ter perdido algo da coragem e do genuíno que marcavam a minha maneira de ser...
"Pensar demais incomoda como andar à chuva, quando o vento bate mais forte e parece que chove mais", sábio Pessoa, pela pena do seu heterónimo Alberto Caeiro. Também eu penso demais em certas situações e em certas coisas, quando devia gastar esse tempo a agir, a empregar verbos de acção no meu quotidiano. Este é apenas um dos meus muitos defeitos... outras vezes, quando devo pensar antes de falar não o faço e acabo por magoar aqueles que estão mais próximos e de quem mais gosto...
"Se eu não gostar de mim, quem gostará?", já dizia o anúncio... tenho de apregoar esse lema de quando em vez... para que o medo de falhar não me tolde os movimentos...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Bem-vindos

Bem-vindos ao mundo pessoal, actual, global de quatro jovens jornalistas que não querem estar presas a tempo, espaço ou temática. Que não querem ver a vida a preto e branco. Que não querem ver a profissão apenas como um trabalho... que encaram o jornalismo como uma paixão... que acreditam que, mesmo contra tudo e contra todos, mesmo com amarras tão grandes, que surgem de todo o lado, é possível dar voz às palavras... porque as palavras não são de ninguém e, ao mesmo tempo, são de todos aqueles que se apoderam delas, em qualquer altura e em qualquer lugar... e pode-se fazer tanto recorrendo "apenas" a esta arma: A PALAVRA!